Pode a mutação D614G facilitar a transmissão do coronavírus?









Se h√° coisa que podemos ter como garantida no pouco que se sabe sobre o SARS-CoV-2 √© que este, tal como os outros v√≠rus conhecidos, vai sofrer muta√ß√Ķes √† medida que vai infetando mais pessoas. Foi assim que saltou dos animais para os humanos e foi assim que passou a ser transmitido de pessoa para pessoa. Mas nem todas as muta√ß√Ķes v√£o ter necessariamente um impacto no v√≠rus, positivo ou negativo. √Č por isso que os investigadores pedem que se olhe com cautela sempre que algu√©m anuncia que o v√≠rus est√° mais ou menos virulento.

Esta quinta-feira, foi a vez da equipa de Bette Korber, investigadora no Laborat√≥rio Nacional de Los Alamos (Estados Unidos), publicar na revista Cell que tinham encontrado evid√™ncias de que uma muta√ß√£o na prote√≠na spike (S) ‚ÄĒ uma esp√©cie de chave do v√≠rus que lhe permite abrir a fechadura das c√©lulas humanas e entrar ‚ÄĒ aumentava a capacidade de infe√ß√£o do v√≠rus.

A muta√ß√£o a que a equipa se refere aconteceu no gene 614 ‚ÄĒ como se se trocasse uma letra por outra numa palavra ‚ÄĒ e √© caracter√≠stica da maior parte dos v√≠rus SARS-CoV-2 encontrados na Europa, mas tamb√©m no leste dos Estados Unidos.

Em Portugal, cerca de 90% dos casos analisados por sequencia√ß√£o do genoma t√™m esse perfil, um cen√°rio que tem paralelo na Europa‚ÄĚ, confirma ao Observador V√≠tor Borges, investigador no Departamento de Doen√ßas Infeciosas do Instituto Nacional de Sa√ļde Dr. Ricardo Jorge.

‚ÄúOs¬†estudos apontam que a muta√ß√£o pode ter algum impacto na capacidade de transmiss√£o, contudo s√£o necess√°rias mais evid√™ncias‚Äú, acautela o investigador portugu√™s. Opini√£o partilhada por outros investigadores, como a equipa brit√Ęnica do Cons√≥rcio Covid-19 Genomics. ‚ÄúN√£o vemos qualquer evid√™ncia de um efeito na severidade da doen√ßa e potencialmente um pequeno efeito na transmissibilidade‚ÄĚ, escreveu o grupo no Twitter.

O grupo brit√Ęnico alerta que, ainda que a muta√ß√£o possa aumentar a capacidade de transmiss√£o do v√≠rus, o efeito que viram em humanos √© muito menor do que aquele que observaram nas c√©lulas em laborat√≥rio. O que refor√ßa a import√Ęncia de se ser cauteloso com as conclus√Ķes e extrapola√ß√Ķes baseadas apenas em resultados laboratoriais.

O grupo brit√Ęnico diz que existem ‚Äúalgumas an√°lises que s√£o consistentes com a possibilidade de aumento da transmissibilidade do v√≠rus com a muta√ß√£o D614G‚ÄĚ, mas alerta que estes estudos t√™m limita√ß√Ķes. Por exemplo, podem n√£o ser representativos dos tipos de v√≠rus que circulam numa √°rea geogr√°fica e h√° √°reas geogr√°ficas pouco representadas nas an√°lises, como os pa√≠ses menos desenvolvidos.

Além disso, a frequência desta mutação num determinado local, como a Europa, pode querer dizer que o vírus entrou várias vezes na área geográfica (trazido por pessoas diferentes) e deu origem a várias cadeias de transmissão e não que seja mais facilmente transmitido entre as pessoas.

Trevor Bedford, investigador no Centro de Investiga√ß√£o para o Cancro Fred Hutchinson, fez uma an√°lise dos resultados da equipa de Bette Korber quando os resultados come√ßaram a ser divulgados em maio, em pr√©-publica√ß√Ķes (antes da an√°lise por cientistas independentes). J√° na altura, o investigador rejeitava que se afirmasse que n√£o havia evid√™ncias. Em vez disso, acautelava que ‚Äúexistem algumas evid√™ncias, mas est√£o longe de ser conclusivas‚ÄĚ.

O facto de esta mutação se ter tornado mais comum pode dever-se a outros fatores que não o aumento da capacidade de o vírus ser transmitido como afirma a própria equipa que publicou o artigo na Cell, mas Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas e conselheiro de Donald Trump para a pandemia, não perdeu tempo em dizer que esta mutação, que atacou a Itália, passa de pessoa para pessoa com mais facilidade, tornando-se mais difícil de conter, conforme noticia a Fox News.

Esta √©, no entanto, uma vis√£o minimalista do problema. Primeiro, e como j√° foi referido, esta muta√ß√£o est√° espalhada em toda a Europa e alguns pa√≠ses mostraram ter muito sucesso na conten√ß√£o do v√≠rus. Depois, a interrup√ß√£o das cadeias de transmiss√£o e conten√ß√£o de um v√≠rus n√£o depende s√≥ da capacidade do v√≠rus de passar de pessoa para pessoa, mas tamb√©m do comportamento das pessoas, das medidas individuais de prote√ß√£o e das medidas impostas pelas autoridades de sa√ļde e governos dos pa√≠ses.

Al√©m disso, os Estados Unidos t√™m ambas as vers√Ķes do gene 614 e continuam a mostrar dificuldade em controlar a pandemia. Esta semana, os estados do Arizona, Calif√≥rnia, Fl√≥rida e Texas juntos representavam 50% das infe√ß√Ķes de todo o pa√≠s. Em nove dias, os Estados Unidos j√° bateram o recorde de novos casos seis vezes ‚ÄĒ na quinta-feira registaram 53 mil novos casos, num total que est√° quase nos 2,8 milh√Ķes de infetados¬† ‚ÄĒ, noticia a Newsweek. ‚Äú√Č √≥bvio que n√£o estamos a ir na dire√ß√£o certa‚ÄĚ, afirmou Fauci perante os n√ļmeros norte-americanos.

Manuel Rivas

Fernando Rivas. Compagino mis estudios superiores en ingeniería informática con colaboraciones en distintos medios digitales. Me encanta la el periodismo de investigación y disfruto elaborando contenidos de actualidad enfocados en mantener la atención del lector. Colabora con Noticias RTV de manera regular desde hace varios meses. Profesional incansable encargado de cubrir la actualidad social y de noticias del mundo. Si quieres seguirme este es mi... Perfil en Facebook: https://www.facebook.com/manuel.rivasgonzalez.14 Email de contacto: fernando.rivas@noticiasrtv.com

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