Falta diversidade na saúde

“O jaleco me daria tudo aquilo que eu pedia/ Eu queria ser amada mesmo sendo transviada”, desabafa, em versos, Stella Branco, mulher trans e estudante do campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

“Eu achava que, se passasse em medicina na USP, não importaria como eu me identificasse ou o que vestisse. Achava que seria aceita pela família e pela sociedade. Era tão bobinha”, recorda a futura médica.

Segundo ela, o ambiente acadêmico é permeado por heteronormatividade e transfobia, dois termos em evidência que denunciam o desrespeito a quem é “diferente” do ponto de vista do gênero. A luta de Stella é bem maior do que imaginava.

“Percebi que nunca somos suficientes e só conseguiremos romper com isso à base de diálogo e com a construção de um entendimento global sobre nós”, reflete.

Dos 100 ingressantes de sua turma, apenas dois são trans. Para Stella, pessoas como ela precisam ocupar esses espaços para ajudar a pautar melhores condições e políticas públicas à comunidade formada por lésbicas, gays, bissexuais, trans ou de gêneros diversos.

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O sonho de Stella se justifica por outra trágica realidade: a negligência do sistema de saúde com as demandas e o bem-estar desses cidadãos.

Mas, pode-se questionar, eles precisam de uma “atenção especial”? Não seriam como as “outras pessoas”? A resposta é sim e não.

Claro, todo mundo tem o direito de receber o melhor tratamento caso passe mal ou seja diagnosticado com uma doença.

Mas não é isso o que acontece na prática com a população LGBTQIAP+: segundo o último relatório da ONG Agenda Mais SUS, esse público enfrenta um cenário de discriminação nos atendimentos, com condutas inadequadas, conotações preconceituosas e estigmatizantes e falta de acolhimento.

Fora as demandas específicas desse grupo que exigem um tratamento diferenciado e são ignoradas por boa parte dos profissionais. Sim, a causa é séria e urgente.

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<em><strong>Dados sobre recortes de saúde dentro dessa população</strong></em>Laura Luduvig (ícones)/SAÚDE é Vital

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Para entender o panorama de cuidados fora da matriz cis-heteronormativa, ou seja, aquele destinado à população LGBTQIAP+, é preciso olhar para nossa história.

No Brasil, a preocupação com a saúde dessas pessoas emergiu diante de um dos maiores estigmas que ainda as perseguem: a aids.

No início dos anos 1980, assim que a doença chegou por aqui, muita gente a chamava de GRID (Gay Related Immuno Deficiency, que significa “Imunodeficiência Relacionada a Gays”), e ela chegou a ser rotulada de “câncer gay” na imprensa.

A sociedade civil se manifestou, e surgiram várias ONGs voltadas a explicar o que verdadeiramente era o vírus HIV e como não se tratava de algo exclusivo aos homossexuais.

Em 1987, foi lançado o Programa Nacional de Controle de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, vinculado ao Ministério da Saúde, e nele passou-se a discutir vários aspectos sociais relativos à infecção, incluindo a sexualidade. Foi a primeira vez que se superou o moralismo para dar uma abordagem mais respeitosa e científica à questão.

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Na década de 1990, diversas ações visando ao combate e à prevenção da aids foram deflagradas no Sistema Único de Saúde (SUS), um marco diante da epidemia.

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Em âmbito governamental, as melhorias vieram a passinhos de tartaruga, e quase tudo resultado de pressão da sociedade civil.

Em 2004, surgiu o primeiro documento seguido de campanha pública, o “Brasil sem Homofobia – Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra a População GLTB e a Promoção da Cidadania de Homossexuais”. Ele abarcava a democratização efetiva de uma série de direitos, incluindo à saúde.

Na 13ª Conferência Nacional de Saúde, em 2007, o relatório final trouxe, pela primeira vez, recomendações próprias voltadas a pessoas LGBTQIAP+.

Nele se reforçava o acesso equânime, respeitoso e de qualidade pelo SUS; a sensibilização dos profissionais de saúde sobre os direitos desse público; a implantação de grupos de promoção à saúde; um protocolo de atenção contra a violência; e até a sugestão para que fosse revogada a proibição de doação de sangue por pessoas dessa comunidade — o que, acredite, só veio às vias de fato em 2020.

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Mas tudo ainda estava muito no campo teórico, e essas práticas não tinham difusão pelo país.

Em 2008, porém, durante a I Conferência Nacional GLBT, houve um marco concreto: o ministro da saúde da época, José Gomes Temporão, anunciou que a realização de cirurgia de modificação sexual para mulheres trans seria incluída na rede pública em algumas capitais.

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<em><strong>Entenda cada uma das letras da sigla lgbtqiap+</strong></em>Quadro: Editoria de arte/Veja Saúde/SAÚDE é Vital

Finalmente, em 2011, anunciou-se a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

Ela tem como objetivo expandir a assistência, acabar com a discriminação e tornar o sistema de saúde mais inclusivo, criando ações de promoção e vigilância em saúde, educação popular sobre cuidados com a comunidade e monitoramento das iniciativas desenvolvidas.

Infelizmente, após mais de dez anos da publicação do documento, pouco saiu do papel.

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“Apesar de linda, essa política não conseguiu ser colocada em prática”, comenta o ginecologista Sérgio Okano, especialista em saúde LGBTQIAP+.

Ele afirma que a diretriz é bem completa, e trouxe a opção do registro de identidade de gênero e orientação sexual nas fichas cadastrais do sistema.

No entanto, como o cumprimento desses campos não é obrigatório, muitos profissionais nem questionam seus pacientes sobre o assunto, o que, longe de ser detalhe, dificulta o tratamento adequado e a obtenção de dados sobre essa população.

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“A gente não tem estatísticas nacionais sobre doenças como câncer de mama ou de colo de útero nesse grupo. Tudo que sabemos é baseado em pequenos estudos regionais, que são extrapolados”, afirma Okano, que é membro da Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual.

“Para que se crie uma política pública, o primeiro passo é ter indicadores e saber do que essas pessoas precisam”, completa.

Na verdade, esse é um problema que vai além da área da saúde: para você ter ideia, nem um número oficial de pessoas LGBTQIAP+ temos no Brasil.

Em 2022, o IBGE divulgou o primeiro levantamento sobre homossexuais e bissexuais no país, e, pelas estimativas, 2,9 milhões de pessoas se declaram lésbicas, gays ou bissexuais, e 100 mil alegam ter outras orientações.

Mas os especialistas acreditam que esse número está subestimado.

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da USP também fizeram um mapeamento sobre o tema e calculam que cerca de 20 milhões de brasileiros são LGBTQIAP+.

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Estresse de minorias: o que é?

Grupos minoritários estigmatizados vivenciam tensões psicológicas específicas e adicionais às já existentes no cotidiano. Por isso, convivem com altos níveis de estresse crônico. Isso pode ser causado por vários fatores, incluindo baixo apoio social e menor nível socioeconômico, mas as causas mais corriqueiras estão diretamente ligadas ao preconceito e à discriminação, como a dificuldade de lidar com a própria orientação sexual, a rejeição e a marginalização social.

 

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<em>O estresse de minorias leva a uma série de sofrimentos.</em>Ilustração: Tiago Araujo (colagens)/SAÚDE é Vital

Mas a grande pedra no sapato dessa população com relação à saúde é a questão do acesso.

Segundo o relatório da Agenda Mais SUS e outros estudos, há negligência de ações e omissão de cuidado em locais de atenção primária à comunidade, e a maioria dessas pessoas não busca atendimento médico por temer sofrer preconceito e violência.

“O medo de passar por discriminação e experiências prévias negativas afastam esses indivíduos. Muitos não têm sua identidade e nome social respeitados ou não conseguem ir ao banheiro sem constrangimento”, exemplifica o geriatra Milton Crenitte, coordenador da área de Sexualidade e Envelhecimento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

A situação é tão crítica que muitos indivíduos optam por não procurar ajuda até após problemas graves.

“Pessoas trans correm maior risco de suicídio. E há indicadores que mostram que, mesmo depois de uma tentativa, eles procuram menos o serviço de saúde que pessoas cis e hétero na mesma condição”, expõe o psiquiatra Saulo Ciasca, especialista no público LGBTQIAP+.

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<span class=»hidden»>–</span>Laura Luduvig (ícones)/SAÚDE é Vital

O influenciador digital Rafa Brunelli, homem pansexual e PcD, entende bem essa situação, porque sempre precisou frequentar muitos médicos desde a infância para tratar uma deficiência motora. Ele opta sempre por ir a profissionais com indicação para evitar más surpresas.

Mas, quando precisa ir a um que não conhece, prefere se prevenir para não se amargurar. “Eu já sou muito empoderado quanto à minha orientação, então nem espero perguntarem, porque muitas vezes nem fazem isso. Já vou falando: tenho uma deficiência, sou LGBT e vegetariano. Com isso, demonstro que tenho um escudo e não vou aceitar discriminação”, comenta.

Mas nem todo membro da comunidade LGBTQIAP+ tem a postura combativa do Rafa, e isso pode se acentuar com a idade.

Segundo uma pesquisa realizada por Crenitte, a oferta de saúde no Brasil não só é desigual como piora conforme gênero e orientação sexual. E os idosos dessa comunidade são os mais prejudicados.

“Eles são os mais vulneráveis e que mais precisam de assistência especializada, mas são também os que têm a identidade mais invisibilizada”, afirma o geriatra. Resultado: padecem de problemas de saúde que poderiam ser prevenidos ou tratados com eficácia.

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Como se não bastasse, há outro agravante nessa história toda: o amplo desconhecimento de suas demandas pelos profissionais. Esse déficit começa, na realidade, nas universidades, que mal abordam o assunto.

“Na verdade, se discute, sim, saúde LGBTQIAP+ na faculdade, mas de uma forma irresponsável e estigmatizante”, opina Stella. A estudante de medicina alega que existe um currículo oculto que só fala sobre pessoas da comunidade quando se abordam comportamentos sexuais de risco e infecções sexualmente transmissíveis (IST).

“Não há didática, e a maioria dos professores e alunos condena as nossas práticas. Enquanto isso, tópicos como reprodução, contracepção e terapia hormonal para pessoas trans são deixados de lado”, descreve a universitária.

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<em><strong>A falta de conhecimento dos profissionais sobre práticas sexuais prejudica a saúde.</strong></em>Ilustração: Tiago Araujo (colagens)/SAÚDE é Vital

Sérgio Okano acrescenta que os cursos só abordam o sexo em seus aspectos físicos e no eixo pênis-vagina. “Pouco se comenta sobre prevenção no sexo oral, que é muito comum. Às vezes o profissional recém-formado sai da faculdade desconhecendo outras práticas, o que o impossibilita de orientar diversos pacientes”, relata o ginecologista.

A falta de sensibilização e acolhimento, por sua vez, dissemina uma espécie de negligência com a saúde, exemplificada pela não realização de exames de rastreamento de câncer de colo de útero em mulheres lésbicas ou homens trans não operados.

“Muitas vezes, o profissional nem sabe que essa pessoa pode ser penetrada de outras formas, com os dedos ou brinquedos sexuais, e corre até mais riscos do que mulheres héteros”, expõe Ciasca.

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<span class=»hidden»>–</span>Laura Luduvig (ícones)/SAÚDE é Vital

Em meio a essa realidade, o psiquiatra se juntou aos médicos Andrea Hercowitz e Ademir Lopes Junior para escrever um livro que abarca práticas de cuidados transdisciplinares com essa população — a primeira publicação brasileira a dissertar de forma completa sobre a saúde das pessoas LGBTQIAP+.

“Convidamos 140 colaboradores, com o cuidado de contemplar a diversidade de orientações sexuais, identidades de gênero, raças e etnias. Tudo feito com grande embasamento científico”, detalha Ciasca.

Saúde LGBTQIA+ práticas de cuidado transdisciplinar

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“Cerca de 20% da população brasileira é LGBT. Se o médico não sabe nada sobre eles, dá para inferir que existe 20% de chance de errar um diagnóstico, forçar a heteronormatividade, pressupor orientação sexual ou identidade de gênero equivocada… Ou seja, irá falhar na hora de lidar com aquela pessoa”, analisa o expert.

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<em>Os números mostram despreparo e negligência.</em>Laura Luduvig (ícones)/SAÚDE é Vital

O fato é que, graças aos esforços da própria comunidade, o tema tem saído de vez das sombras. E nos mais diversos ambientes.

Stella fundou a Lagssex – Liga Acadêmica de Gênero, Saúde e Sexualidade da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, que promove atividades de estudo, ensino, pesquisa e extensão a respeito.

“A liga traz questões importantes e inéditas, que não são discutidas em outro espaço da universidade”, defende a aluna.

Na Bahia, algumas faculdades de medicina possuem programas de cotas para pessoas trans, visando a uma ampliação dessa população no ensino superior.

Já o médico Sérgio Okano ministra um curso que mostra a profissionais da saúde como se comunicar com pessoas LGBTQIAP+.

“São ações simples que fazem a diferença. Um exemplo: é importante que o médico saiba como acessar a identidade de gênero do paciente. A primeira coisa que deve fazer é se apresentar colocando a sua identidade na fala, flexionando substantivo, adjetivo, artigo, gênero. Depois deve perguntar: ‘O que que te traz à consulta?’, e aí fazer uma escuta profunda, prestando atenção em como a pessoa se identifica para conduzir a consulta, usando os mesmos pronomes que o paciente utilizou”, descreve.

No âmbito do SUS, o Ministério da Saúde afirmou, em nota à reportagem, que a pasta está construindo um curso de capacitação de atendimento à população LGBTQIAP+ em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (Unasus), com previsão de lançamento no primeiro semestre de 2024.

Pensando na linha de inovações, especialistas acreditam que procedimentos injetáveis faciais e corporais devam ser oferecidos pelo SUS a pessoas em transição de gênero.

“Uma pesquisa feita nos Estados Unidos apontou que a intervenção número 1 buscada por mulheres trans são as alterações faciais. E a gente já tem isso através de métodos injetáveis, que são reversíveis e menos invasivos, podendo se ajustar ao gosto da paciente”, afirma a dermatologista Bianca Viscomi, que lidera, em São Paulo, um ambulatório dedicado ao atendimento de quem não pode pagar por procedimentos.

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Várias técnicas já auxiliam na afirmação de gênero.Ilustração: Tiago Araujo (colagens)/SAÚDE é Vital

Para Crenitte, uma ampla conscientização destinada a profissionais e leigos, assim como uma atenção à saúde centrada na pessoa, que aborde as questões da sexualidade sem julgá-la ou discriminá-la, é a chave para melhorar a assistência ao público LGBTQIAP+.

Sim, muito precisa ser feito. E já passou da hora de tirar o assunto do armário.

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Fontes dos dados: Relatório Técnico nº3/2023 Saúde da População LGBTQIA+; estudo: Proportion of ALGBT adult Brazilians, Sociodemographic Characteristics, and Self-Reported Violence; Dossiê de Mortes e Violências Contra LGBTI+ de 2022; Percepções sobre a Comunidade LGBTQIA (2023) – iO Diversidade e Instituto Locomotiva (2023); Diagnóstico LGBT+ na Pandemia 2021 – CRN9; estudo: Fatores Sociodemográficos Associados a Pior Acesso à Saúde em Brasileiros com 50 Anos ou Mais: o Impacto do Gênero e da Orientação Sexual; estudo: Percepção de Alunos de Graduação da Área da Saúde Acerca da Abordagem sobre a Saúde de LGBTI+; pesquisa Um Milhão de Diálogos – Sanofi; livro Saúde LGBTQIA+ Práticas de Cuidado Transdisciplinar – Saulo Vito Ciasca, Andrea Hercowitz e Ademir Lopes Junior.

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Ana Gomez

Ana Gómez. Nació en Asturias pero vive en Madrid desde hace ya varios años. Me gusta de todo lo relacionado con los negocios, la empresa y los especialmente los deportes, estando especializada en deporte femenino y polideportivo. También me considero una Geek, amante de la tecnología los gadgets. Ana es la reportera encargada de cubrir competiciones deportivas de distinta naturaleza puesto que se trata de una editora con gran experiencia tanto en medios deportivos como en diarios generalistas online. Mi Perfil en Facebookhttps://www.facebook.com/ana.gomez.029   Email de contacto: ana.gomez@noticiasrtv.com

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